O Relacionamento do Líder com Sua Esposa – Pr David MerkhMuitas interpretações da frase “marido de uma só mulher” (mia" gunaiko" andra, literalmente, “de UMA mulher, homem”) em 1 Timóteo 3:2, 12 e Tito 1:6 já foram sugeridas. A frase não é comum, e por isso torna-se um pouco difícil. A posição enfática no grego do número “um” (“de UMA mulher”) destaca esse aspecto qualitativo de devoção total que o homem tem para com a esposa dele. Mas o que exatamente significa? Que ele tenha uma mulher de cada vez? Que case-se com somente uma mulher durante toda a vida? Que nunca se divorcie e recase-se?
Esta qualidade de caráter é o primeiro exemplo específico do que o Apóstolo quer dizer com a palavra “irrepreensível” (3:2), talvez pelo fato de que é justamente nesta área, acima de todas as outras, onde líderes parecem mais cair (MacArthur, 1995: 104). O líder espiritual deve sua inteira devoção, exclusiva e leal, a uma só mulher. Como Mounce (2000) comenta, “que é o primeiro item na lista . . . sugere que fidelidade conjugal seja algo muito sério” (170). Saucy (1974) sugere que esta característica seria “a primeira coisa que diminuiria a reputação irrepreensível do homem e a primeira coisa que deveria ser observada” (229-230).
À luz do contexto cultural por trás das Epístolas Pastorais, inclusive os cultos de fertilidade de Éfeso, a prostituição ritual (1-2 Timóteo; cp. 2 Tm 3:6) e a reputação suja dos cidadãos de Creta (Tito 1:12), a pureza moral certamente serviria como peneira eficiente para deternminar irrepreensibilidade. Fidelidade conjugal seria a prova de uma verdadeira conversão cristã para aqueles que estavam saindo de tal sociedade (Getz 1974, 29). Somente aqueles cujas vidas haviam sido purificadas da promiscuidade seriam aptas para a liderança da igreja.
Mounce sugere quatro interpretações para a frase “marido de uma só mulher”, e depois oferece uma avaliação (2000, 170-172):
1) Tem que ser casado
2) Não polígamo
3) Fiel (devotado) à esposa
4) Não divorciado e recasado
A primeira opção, que TEM que ser casado, é pouco provável pelo fato de Paulo ter encorajado o celibato (1 Cor 7:17, 25-38). A segunda opção, “não polígamo”, também é improvável, pelo fato de que poligamia não parecia ter sido tão comum para justificar sua menção prioritária nas listas de qualificações. Além disso, a frase paralela “mulher de um só marido” aparece em 1 Tm 5.9 com respeito às viúvas, e há pouca ou nenhuma evidência de poliandria (múltiplos maridos) no primeiro século. A interpretação dada para “marido de uma só mulher” deve aplicar-se igualmente as duas frases, “mulher de um só marido”, e “homem de uma só mulher”.
As opções 3 (fidelidade conjugal) e 4 (não divorciado/recasado) são igualmente atraentes. Getz sugere que “Paulo está dizendo que o líder espiritual deve ser intimamente relacionado com somente uma mulher” (1974, 28). Um argumento contra opção 3 é que não trata-se de um critério objetivo ou mensurável (como medir “fidelidade ou devoção”?). Por isso, é mais difícil servir como “peneira” de liderança espiritual. Mas a quarta opção (não divorciado e recasado) seria um padrão objetivo e mensurável. Mesmo assim, a ênfase bíblica no coração (qualidade interior) do homem (opção 3) e não somente seu comportamento externo (opção 4) sugere que pureza sexual em todas as esferas (inclusive, pensamentos e ações) estejam envolvidas aqui (Mt. 5:27-30).
Pelo fato de que a opção 3 já engloba a opção 4, seria melhor concluir que “homem de uma só mulher” se refere à fidelidade e devoção exclusiva conjugal: o presbítero/diácono foi casado somente uma vez, nunca divorciado ou recasado, e apresenta sinais claros de fidelidade e compromisso total a sua esposa (MacArthur, 1995: 105).
A idéia de ser “homem de uma só mulher” pode ser interpretada à luz de textos como Lv 21, certamente no background do texto, e conhecido pelo Apóstolo Paulo. A mensagem do texto de Levítico mostra que o casamento do sacerdote precisava refletir a santidade e imagem de Deus. Enquanto aquele texto proíbe o sacerdote de casar-se com mulheres de reputação dúbia (pressupõe-se a santidade e pureza moral do próprio sacerdote), o NT enfatiza a pureza sexual do próprio líder.[4] Mounce explica que “a falta de mais explicações quanto às posições de liderança no NT talvez sugira que fossem adaptações naturais daquilo que a igreja primitiva já sabia e aceitava (2000,165).
A advertência de Jesus que “Aquele que repudiar sua mulher . . . a expõe a tornar-se adúltera, e aquele que casar com a repudiada comete adultério” (Mt 5:31,32; cf. 19:9) também parece ecoar o ensino sobre casamento em Levítico 21 e 1 Timóteo 3, e sugere que fidelidade conjugal para líderes espirituais exclui a possibilidade de divórcio e recasamento.
Outra consideração chave envolve a nova vida em Cristo. Até que ponto o crente recebe uma “tábua rasa” depois da conversão? Se “as coisas antigas já passaram” e todas “se fizeram novas” (2 Co 5.17), isso significa que a vida antes de Cristo não tem influência alguma nas qualificações para liderança espiritual?
Quando Paulo fala aos corintios acerca da promiscuidade prevalescente entre eles, ele os informa que os impuros, adúlteros, homossexuais, etc. não terão herança no reino de Deus. Mas ele acrescenta, “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados” (1 Co 6:9-11). Para Paulo, parece que eles foram algumas dessas coisas, mas não eram mais.
Quando consideramos a probabilidade de que a promiscuidade caracterizava quase TODOS aqueles saindo do paganismo de Éfeso ou Creta, existe a possibilidade de que Paulo está mais preocupado com a reputação pós-conversão dos líderes da igreja. Sua mudança de vida seria um testemunho ao poder do Evangelho, mas sua vida passada seria um escândalo para seus vizinhos. Saucy sugere que a maior parte da membresia da qual os presbíteros em Éfeso e Creta seriam escolhidos vinha de contextos em que a imoralidade predominava (1974, 237): As características pecaminosas da sua vida que culminavam em pecado nestas áreas tinham que mostrar mudanças pela graça de Deus. Tudo isso levaria tempo e requereria, em alguns casos, longos períodos de observação e evidências de uma vida transformada” (Saucy 1974, 237-238).
O maior problema com essa interpretação é a natureza metafísica do casamento, seja entre crentes, seja num casamento misto, seja entre não-cristãos. Se a aliança conjugal é válida como expressão da imagem de Deus (Gn 1.27), e se o casamento do líder espiritual serve para ilustrar para o mundo a seriedade desta aliança, então mesmo a conversão de um homem não “anula” o fato de que uma aliança foi rompida e outra iniciada.
Finalmente, temos que entender que as Escrituras se preocupam com muito mais do que a letra da lei, pois focalizam o espírito por trás da pureza sexual. Jesus deixou claro que pureza sexual é uma questão de coração, e que adultério se comete primeiro no coração (Mt 5:27-30). Neste caso, a cobiça, (desejo sexual dentro do coração), e não somente o adultério (o ato físico), precisa ser considerada para qualificar o homem como “marido de uma só mulher.”Segue uma possível solução ao dilema levantado por essas considerações: Enquanto a nova vida em Cristo tira, de fato, o estigma da vida pecaminosa no passado, esta nem sempre remove as consequências do pecado. Quando os resultados de uma vida promíscua ou de um casamento anterior, continuam sendo uma realidade presente na vida do líder espiritual ou de sua esposa, esse fato aparentemente desqualifica o líder por não ser “irrepreensível” e “homem de uma só mulher”. Deste modo, ele não consegue refletir, de forma visível, a santidade do Senhor ou ser considerado “inatacável”. Por outro lado, se a experiência pré-conversão de qualquer cônjuge não incluir resultados visíveis e atuais, ele ainda pode qualificar-se para a liderança, desde que demonstre evidências de ser “homem de uma só mulher”, e sua esposa dê indicações de ser “mulher de um só homem.”
Princípio: O casamento do líder espiritual deve exemplificar pureza moral e fidelidade mútua, sem divórcio e recasamento, evitando assim circunstâncias comprometedoras, cobiça, promiscuidade e indiscrição no trato com o sexo oposto.
Fonte: http://www.palavraefamilia.org.br/
Um comentário:
Em relação ao divórcio e novo casamento, à luz da Bíblia, permita-me observar:
1) Em Dt. 24 Deus estabeleceu e normatizou o divórcio e novo casamento, sem que os envolvidos deixassem a comunhão do povo de Deus;
2) Em Mt.5 Jesus condena união com a repudiada, do grego "apolion" (sem carta de divórcio), mas não fala da divorciada, do grego "apolion";
3) 1Tim3 Paulo não fala de divorciados e recasados. Certamente, alguns crentes vindos do paganismo eram polígamos e não podiam desfazer-se do compromisso social (famílias constituídas). Isto é comum entre indígenas, etc. Mas aos pastores, diz Paulo, que convém (ele não diz que é obrigado!) ter uma só mulher;
4) Lv 21 proíbe sacerdote se casar com divorciada. Mas fala também, vs.16,21, que o sacerdote não poderia ter defeito físico. Ora, se Lv 21 vale para pastor não ser divorciado e recasado, também impede que deficiente físico seja pastor.
E.T. - Casado uma única vez, vivo um casamento bem resolvido há 41 anos.
Receba o meu carinho,
pr vandir allas, opbb-sp 1900
0xx12-39416044
sjcampos sp
Postar um comentário